Redes Sociais

Eu sei o que você fez no verão passado

13.12.16

Depois de muita risada, ou melhor dizendo, gargalhadas a fim, achei que seria um bom exemplo para falar sobre reputação digital, presença digital ou a pegada digital que queremos deixar.

Estava na casa da minha mãe este fim de semana, mexendo no guarda-roupa, quando encontrei a grande bolsa de palha com fotos. Claro, super curiosa, fui conferir o segredo guardado naquela cesta. Dentre fotos coloridas e preto e branco, uma das relíquias contidas no achado era o álbum grande de capa dura azul (daqueles que demoravam mais de trinta dias para ficar prontos e só então era possível ver as fotos) e com fecho dourado. Da mesma cor, os dizeres: meus quinze anos. Sem querer, me deparei com a doce recordação da minha festa de 15 anos.

Não conto. Não conto. Não conto quantos anos já se passaram, mas naquela época nem mesmo havia computador, Windows e muito menos redes sociais. E vou lhe dizer; AINDA BEM. Caso contrário, eu estaria “cortando os pulsos” (no bom sentido), tamanha a “breguice”, que, inevitavelmente, vai surgindo com o passar dos anos. O que é aquele vestido de tafetá?

Quem nunca riu muito de fotos do passado? Seja pelo estilo do cabelo, vestuário ou até mesmo poses, é sempre motivo de muita diversão e, em certos momentos, até mesmo um tequinho de vergonha. No caso da minha festa de 15 anos, sorte, sorte e sorte demais da conta que nada foi publicado em redes sociais.

Tenho recordações maravilhosas do evento e de toda a fase que antecedeu a festa. Salão de festas, vestido suntuoso, valsa e tudo o que tive direito. Foi lindo. E sim, folhear o álbum me trouxe uma sensação acolhedora. Agora, se aquelas fotos caem na rede…a sensação seria bem diferente. Não porque sejam fotos feias ou degradantes, muito pelo contrário, mas porque, sinceramente, a minha marca pessoal, a imagem que construí, é bem diferente da percepção que se tem ao olhar as fotos. A marca pessoal deve ser construída e gerenciada com cuidado, buscando explorar aquilo que nos torna únicos e diferentes. 

Pois bem. Mas o mundo mudou. Criou-se o computador, a internet, o celular, as redes sociais e, creio eu, festa de 15 anos com valsa nem esteja em alta . Hoje, levamos menos de um segundo para checar como ficou a foto que acabamos de tirar com o celular. A qualquer momento. A toda hora. Em qualquer lugar. E é aqui que mora o perigo.

A rapidez e facilidade com as quais nos expomos, muitas vezes impedem uma análise um tantinho criteriosa.

Um cliente meu nunca viu ou verá aquelas fotos. O que é absolutamente oposto ao que ocorre hoje em dia. Mesmo com as opções de “configuração de privacidade” das redes sociais, é impossível negar que “caiu na rede é peixe”.  Gente. Esse ditado é da época da festa. Para modernizar um pouquinho, “privacidade” é algo raríssimo, atualmente.

Só disfruta de uma vida privada, uma pessoa que não tenha IP, email, conta do Gmail, conta nas redes sociais e que fique enclausurado em casa.

Nesse dinamismo digital tudo o que você fez no verão passado será visto e, ainda por cima, registrado. Aliás, primavera, verão, outono e inverno;  a estação pouco importa. O que vale é o conteúdo que, a cada postagem, vai construindo a pegada digital. Daquele tipo de pegada que permanece, mesmo com o passar do tempo.

“O Conteúdo é o rei”. Este ditado é mais moderno, rsrsrsrs!!! E a rainha é a audiência. Ou melhor, a percepção do outro diante do mais inocente dos estímulos – como, por exemplo, uma foto.

A intenção aqui está longe de ser a criação de uma geração de “neuróticos e não-expontâneos”. Teoricamente, as pessoas são livres para falar sobre a vida pessoal no mundo online. Mas dados de fontes diversas apontam para o cuidado que se deve ter com a imagem divulgada nas redes sociais.

E para qualquer pessoa que trabalhe ou esteja buscando um trabalho isso é um ponto de atenção. Com os índices de desemprego em alta e o crescente aumento da concorrência, tudo conta.

Para citar uma das fontes, segundo pesquisa da Jobvite (2014), 55% dos recrutadores admitem reconsiderar candidatos baseados no perfil das redes sociais. Os percentuais podem variar de um estudo para outro, mas o conceito tem permanecido inalterado.

Trocando em miúdos e para ser mais específica, resumi os principais pontos de cuidado e melhores práticas para a construção de uma marca pessoal positiva nas redes sociais:

  • Evite postagens do tipo “finalmente, sexta-feira” ou “odeio domingo à noite”. Mesmo que seu chefe não faça parte da sua rede, a postagem pode chegar até ele, porque alguma conexão em comum curtiu ou compartilhou o post.
  • Política, futebol e religião não se discute. Ditado que ultrapassa gerações, mas há casos notórios de demissões ocorridas por conta de manifestação inapropriada sobre o time campeão da temporada.
  • Cuidado com inconsistência entre a história que conta em uma entrevista ou até mesmo para o seu chefe e a vida que mostra nas redes. Uma pessoa doente, na grande maioria das vezes, não passa o fim de semana na praia bebendo.
  • E por falar em bebida, sim, fotos com fisionomia de embriaguês são comprometedoras. Uma ou outra foto de festa ou celebração não vai comprometer a vida profissional, mas a consistência nesse hábito pode sinalizar negativamente.
  • Por incrível que pareça, atenção a erros ortográficos e gramaticais. Claro, quem não odeia o corretor ortográfico que altera as palavras exatamente no momento em que clicamos enviar? Mas erros esporádicos são diferentes de erros constantes.
  • Palavrões são proibidos. De toda e qualquer forma. Mesmo que esteja muito bravo com o trânsito, o governo, a empresa de telefonia ou por qualquer situação irritante. A impressão que se passa é que a qualquer momento a pessoa sairá pelos corredores da empresa gritando em alto e bom tom palavrão de vários escalões.
  • Muito embora eu quisesse deixar de mencionar, qualquer tipo de comentário desrespeitoso sobre raça e gênero faz parte da lista de proibições.

Pode parecer exagero e excesso de controle. Aliás, é um tanto quanto questionável essa “falta de liberdade de expressão”, mas é fato.  E o melhor a fazer é administrar a realidade a nosso favor.

Toda e qualquer publicação online gera bilhetes vitalícios para a exibição do filme “eu vi o que você fez no verão passado”. 

Abraços. Até a próxima.

Luciane Borges

Founder da Be In Digital

Artigo originalmente publicado no Pulse LinkedIn 

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